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A disrupção digital na educação e o Ciclo do Sofrimento

A disrupção digital na educação e o Ciclo do Sofrimento

 

Todo processo disruptivo, como é a transformação tecnológica que estamos vivendo, traz sofrimento, pois causa uma profunda mudança na vida daqueles que por ele são impactados: a perda da segurança do que sabíamos e a necessidade de aceitar e desbravar o novo caminho que não conhecemos. Nesse contexto, acredito que passamos pelas mesmas fases do Ciclo do Sofrimento descrito por Elisabeth Kublr-Ross, característico de situações em que somos acometidos por perdas importantes na vida (como o falecimento de um ente querido, por exemplo), e, a partir de então, precisamos passar a viver de outra forma, sem aquilo que nos era tão valioso. Essas fases são: negação, raiva, depressão, negociação e aceitação.

Imagem: Representação do Ciclo da Depressão de Elisabeth Kublr-Ross

Tenho acompanhado a evolução desse ciclo na transformação digital do mercado e da educação na última década, e especialmente nesse momento de aceleração que estamos vivendo durante a atual crise COVID19. Inicialmente, o comportamento dos educadores e academia em geral é o estado de “negação”, rejeitando totalmente as tecnologias digitais e os seus impactos, como se fossem uma “moda passageira”.

Em algum tempo (variável de pessoa para pessoa), começa-se a perceber que o que está acontecendo não vai passar, por mais que não se goste do novo cenário que se apresenta – como consequência, vem o estágio de “raiva” de ter que mudar independentemente da sua vontade. Essa fase dura até que se compreende que, por mais raiva que se tenha, a nova situação é inevitável e irreversível, trazendo, assim, um sentimento de “depressão” com a realização de que a vida que vivíamos antes realmente já não existe mais.

No entanto, é muito difícil para o ser humano desapegar do status quo e enfrentar o desconhecido. Assim, a primeira estratégia normalmente usada para enfrentar o desconforto da mudança depois da depressão é a tendência de “negociar”, tentando usar algo do passado -- conhecimentos e/ou métodos antigos – que possa ainda funcionar em algum grau para ganhar tempo ou “driblar” o problema. Quando se percebe que o processo de barganha não funciona, e que para enfrentar a situação é necessário realmente mudar e começar a aprender coisas novas, as pessoas entram, finalmente, na fase de aceitação. Ela só acontecerá quando conseguimos adquirir uma quantidade suficiente de novos recursos necessários para nos sentirmos novamente minimamente confortáveis com o novo contexto que está emergindo, operando novamente com segurança.

Logicamente nem todos os educadores e instituições encontram-se na mesma etapa do ciclo – alguns estão apenas começando agora durante a quarentena do COVID19, outros já estavam na fase madura bem antes dessa pandemia. Acredito, o entanto, que a fase predominante hoje é a da negociação – a maioria das instituições e educadores no Brasil estão num ponto em que sabem que precisam mudar, mas muitas vezes, não sabem como, e estão buscando soluções e caminhos efetivos para que isso aconteça. Os debates e discussões sobre os novos caminhos da educação têm tomado conta do mundo todo, ao mesmo tempo em que estudantes e tecnologias continuam a se transformar muito rapidamente – é como aprender andar de bicicleta em movimento, enquanto ela muda constantemente as suas configurações estruturais.

Portanto, essa mudança não é simples ou fácil, mas com os recursos resultantes desse processo, nos habilitaremos para a fase seguinte, e aí então, provavelmente estaremos em pleno uso das potencialidades que nossa nova “vida” pode trazer.

 

Imagem de abertura by Robin Schreiner on Unsplash

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