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Qual foi a última vez que você aprendeu algo completamente novo?

Qual foi a última vez que você aprendeu algo completamente novo?

De repente eu estava na frente da tela do computador e me questionando: será que eu clico no link para entrar nesse karaokê no Zoom com pessoas que nem conheço? Será que a galera tem a voz boa pra cantar? Será que vão entender que minha voz é horrível e por isso mesmo me jogo com toda a performance-drag-Priscila-rainha-do-deserto na letra da música porque acho isso divertidíssimo? 

Havia muitas vozes na minha cabeça dizendo: não clica! E junto disparavam mais perguntas que me levavam aos meus medos e vergonhas. Tentar fazer algo novo geralmente nos direciona para esse caminho de negação, como se fosse uma proteção do nosso cérebro para ficarmos quietinho no conforto e evitar de fazer possíveis situações vexatórias. Claro que esse comportamento ajudou os seres humanos a sobreviver e chegar até o momento. Yuval Harari, em seu livro Sapiens, fala sobre como utilizamos esse recurso de evitar o desconhecido de maneira bem esperta na caminhada da sobrevivência humana, mas ele também aponta que, paradoxalmente, graças à nossa curiosidade em desbravar o que não conhecemos que evoluímos como espécie. Aprender é essa aventura sobre o inexplorado. 

 

APRENDER COISAS NOVAS NOS EXIGE ARRISCAR-SE NO DESCONHECIDO 

 

Muito que bem, resolvi evoluir a “minha espécie”, ignorei as vozes imaginárias limitadoras e cliquei no link do Zoom. A câmera abriu, a bochecha logo ficou vermelha. Eu só conhecia UMA pessoa que estava lá no karaokê online, a gente raramente se encontrava e nunca tínhamos saído juntas antes. Ai que nervoso! Ao mesmo tempo que que dizia para mim mesma: por que DO NADA resolvi aceitar esse convite que veio de uma enquete de stories? Eu também dizia: bora mermã, interaja, se permita viver isso! Então foi o que fiz. 

 

APOSTEI NA VIVÊNCIA DO DESCONHECIDO E, Ó,  FOI MARAVILHOSO! 

 

Descobri que aquelas pessoas também faziam performance para compensar a voz ruim, que elas tinham gostos bem peculiares para músicas, que não conheciam nenhuma letra forró (a especialista aqui, monamu, mostrou o país nordeste, claro!), descobrimos também muitos ritmos bregas em comum (<3), rimos bastante e óbvio, nos despedimos com o clássico do karokê: Evidências! Ah! Que encontro online delicioso! 

Essa experiência foi bem no início do isolamento social aqui no Brasil, lá no fatídico março de 2020. Nós, ainda inocentes, ensaiávamos novas formas de contato de entretenimento pela internet, quando a gente achava que ia ser só quarenta dias, pois ~quarentena kkkkkkcrying.

 

ESSA BOA EXPERIÊNCIA DO KARAOKÊ ME INCENTIVOU A DIZER SIM PARA CADA LINK, LIVE, EVENTO E CURSO ONLINE DIFERENTÃO QUE APARECIA PARA MIM. 

 

Queria muito viver situações novas, então fiz uma dezena de coisas desde curso online de elétrica só para mulheres; participação em um world café sobre educação bioinspirada com mais de 60 pessoas online sincronamente; chá de bebê e aniversário tipo drive-tru; festa com ingresso, DJ, luzes e pessoas felizonas dançando em casa compartilhando a alegria via tela e até fiz curso de tarô online (e nem acredito nessas coisas hahha, mas isso é papo pra outro texto!). 

E como foi o resultado, você poderia me perguntar, foi melhor que o presencial? Não é isso que quero mostrar. Esses dois ambientes, inclusive, não são comparáveis. São experiências diferentes.  

É exatamente esse o ponto aqui: estar aberta para experiências diferentes, dizer sim a situações que te levam para conhecer algo que você não tinha experimentado. Essa é a magia!  

Estamos todas e todos vivendo situações complexas e boa parte delas nunca antes exploradas por nós, seja porque estávamos na zona de conforto, seja porque nossas vozes limitantes nos diziam "não" e a gente aceitava ou ainda porque estávamos ocupadas demais para perceber o quanto aprender uma coisa nova e inusitada nos faz sair do lugar, nos deixa aquela sensação boa de um mix de frio na barriga com a alegria de conseguir sair mais esperto e inteligente no final. Não estamos vivendo dias fáceis e nem muito menos cheios de alegrias no contexto pandêmico que nos encontramos em 2020, mas talvez a gente possa encontrar, no meio do caos, caminhos que nos levem a experimentar outras formas de aprender, desaprender e reaprender e, com isso, descobrir novas paixões que nos movem na vida ;) 

 

Ps: escrevi um livro recentemente sobre esse desaprender para aprender, caso tenha interesse em saber mais, clica aqui =) 

Professores Exponenciais
Leila Ribeiro
Leila Ribeiro Seguir

Facilitadora de aprendizagem com PhD e tudo! Cofundadora da Sala

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