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Inclusão em ambientes digitais

Inclusão em ambientes digitais

 

Problematização

As reflexões sobre os desafios para educação inclusiva no Brasil na educação presencial é algo recente e vem se legitimando, não somente por dispositivos legais (por exemplo, os instrumentos regulatórios do Ministério da Educação e Cultura, a Política Nacional ou mesmo a Lei Brasileira de Inclusão) mas, também, pelo próprio acesso dos estudantes ao ensino superior. Na educação a distância este debate também começa a crescer, bem como as tecnologias envolvidas na promoção da acessibilidade destes alunos. Nossas reflexões foram em torno da compreensão de: como as instituições estão se organizando para garantir a igualdade no atendimento a estes estudantes? Como a tecnologia tem contribuído para ajudar estes alunos? Qual o papel do professor neste processo?

 

Conceito

 

Segundo Tim Berners-Lee, diretor do W3C (World Wide Web Consortium) e idealizador da World Wide Web, o poder da web está na sua universalidade. Sendo o acesso por todas as pessoas, não obstante a sua deficiência, um aspecto essencial. Aqui, utilizaremos o termo “acessibilidade” no sentido de:

[...] possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização, em igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, do meio físico, do transporte, da informação e da comunicação, inclusive dos sistemas e tecnologias de informação e comunicação (aqui representados pelos materiais didáticos), bem como de outros serviços e instalações. (W3C, online).

Assim, acreditamos que, como Berners-Lee, a acessibilidade sustenta a inclusão social de pessoas com deficiência, de idosos e usuários residentes em áreas rurais ou de difícil acesso, incluindo locais onde a internet é de baixa velocidade (realidade de grande parte do Brasil).

 

Contribuições

Quando discutimos as questões de inclusão e acessibilidade é preciso ir além dos recursos digitais. O olhar macro sobre a realidade e as necessidades dos estudantes são fundamentais para garantir o acesso, a permanência e a conclusão destes alunos. Por onde as instituições podem começar e para onde devem olhar? 

 

Alguns pontos fundamentais: Implementação de Núcleos de Acessibilidade; Garantia de acessibilidade para o ingresso, desde a publicação das informações no site da IES, vestibulares... Plano de Desenvolvimento Individualizado (PDI) para o público-alvo da Educação Especial. AVA desenvolvido de acordo com os princípios de acessibilidade e usabilidade; Materias acessíveis com descrição de imagens, compatíveis com leitores de tela; Materiais com janela de LIBRAS e legenda; Adaptação de provas; Formação de professores e tutores; Adaptação arquitetônica e instrumental, principalmente para aulas presenciais e práticas; Plano Especial para estágios e, o principal Desconstrução de barreiras atitudinais!!!  Tatiana Santos

 

Mas além de planos, recursos e estrutura pessoal e física, o desenvolvimento de estratégias para o rompimento das barreiras atitudinais é necessário. Neste processo, professores e alunos precisam ser envolvidos e sensibilizados, com um olhar empático e solidário. 

Trata-se de um trabalho de muitas "mãos" em que o maior desafio são as pessoas que precisamos sensibilizar para a questão, evitando a segregação por vezes pelos próprios colegas que excluem este colega até mesmo nos chats. Temos investido e apostado em lives, conselhos e planos de comunicação capazes de gerar conscientização (consciência + ação). Por incrível que pareça, o maior desafio não é o digital, mas o humano. Vanessa Andina Teixeira

E sobre os recursos de inclusão digital, por onde começar?

Acredito que o pensar acessível se inicia na construção do projeto pedagógico do curso, no momento da escrita do material didático, escolha do LMS, edição das aulas, é necessário nos colocarmos no lugar do próximo, tentar identificar possíveis dificuldades físicas, cognitivas e geográficas. A partir desse momento o papel da equipe é traçar estratégias para atender a individualidade dos alunos. Thayla Guimarães

Entre os recursos digitais mais básicos e que podemos considerar como essenciais estão: zoom da página, que depende da boa execução de um design responsivo. Pode-se fazer uso de Plugins de aumento de fonte: A+/A-. Alto contraste, uma boa diferenciação entre fundos, textos e imagens, podemos contar aqui com Plugins que exibem uma versão alternativa em fundo preto e texto amarelo. Leitor de tela ou versões de audiolivro, aqui vale um destaque para a necessidade da descrição das imagens e do uso do atributo Alt (uma tag do HTML).

Uma das vantagens de implementar recursos de aprendizagem digital está em ampliar o apoio a outros estudantes, além dos que tenham deficiência. Este é o conceito do desenho universal de aprendizagem (DUA) busca desconstruir os estereótipos e rótulos a partir de um olhar exclusivo, de adaptações e adequações, relacionado a deficiência e diagnósticos médicos. A ideia é eliminar as barreiras ao acesso ao conhecimento sem exclusividades, mas onde todos sejam beneficiados.

A acessibilidade não é uma opção, ela é um requisito básico que demonstra o respeito com as diversas condições dos alunos. Além disso, muitos recursos pensados para pessoas com necessidades especiais são amplamente utilizados por pessoas que buscam aumentar sua concentração, por exemplo. Ana Lívia Cazane

 

Provocações

Como provocação para este tema, fica a reflexão: o que mais podemos fazer? Como podemos nos tornar cada vez mais inclusivos? E que recursos ainda são necessários para apoiar a aprendizagem dos nossos alunos?

 

Escrito por Karina Nones Tomelin e Jaime De Marchi Junior

Professores Exponenciais
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