[ editar artigo]

Tema 5 - Afetividade

Tema 5 - Afetividade

Problematização

A forma como foram conduzidas as perguntas corroboraram para uma troca de informações pertinentes entre os integrantes (digo perguntas, no plural, porque foram várias, feitas no decorrer do Projeto para que a interação fosse realmente efetiva). Trataremos aqui de duas que mais nortearam estas interações.

1 - Quais os desafios que os professores têm enfrentado para manter/desenvolver a afetividade junto aos alunos nessa época do COVID-19? A afetividade se apresenta como um elo de ligação entre as pessoas, pode ocorrer de diversas formas, pelo contato físico com um abraço, pelo olhar, pela escuta atenta. Todos os dias exercitamos nossa afetividade, e você professor(a), quais são as experiências mais marcantes que tem vivido com seus alunos que revelam afetividade neste momento tão desafiador?

2 - Conforme enfatizado, quais são as experiências mais marcantes que tem vivido ou já viveu com seus alunos? Vamos compartilhar e quem sabe até listar essas experiências para que possamos discutir todas e perceber que podem acontecer em conjunto numa mesma interação com o discente? Aguardo você! E claro, com muita afetividade!!!

 

Conceito

A prática da Afetividade, que deveria ocorrer em qualquer tipo de ensino, é muito complexa. Um dos principais motivos se dá porque muitos confundem Afetividade com Empatia, Simpatia. No entanto, a Afetividade tem o conceito amplo que engloba vários outros. De acordo com Wallon, a emoção faz parte da afetividade: as emoções, assim como os sentimentos e os desejos, são manifestações da vida afetiva. Na linguagem comum costuma-se substituir emoção por afetividade, tratando os termos como sinônimos. Todavia, não o são (WALLON, 1999). A afetividade está relacionada à construção da auto-estima.

Leite e Tassoni (2002) retratam aspectos relacionados com a afetividade nas condições de ensino. Primeiramente os autores referem-se à escolha de objetivos não relevantes para um determinado público, sobretudo nos casos em que o aluno é obrigado a envolver-se com temas que, aparentemente, não têm relação alguma com a sua vida ou com as práticas sociais do ambiente em que vive. Os autores também relatam o pensamento de (Ausubel, 1968) que propôs o conceito de aprendizagem significativa, que implica o relacionamento entre o conteúdo a ser aprendido e aquilo que o aluno já sabe. Remete planejar o ensino a partir do que o discente já sabe sobre o objeto em questão, aumentando as possibilidades de se desenvolver uma aprendizagem relevante, marcada pelo sucesso do aluno em apropriar-se daquele conhecimento. Para isso, precisa-se conhecer o aluno.

 

Contribuições

No ambiente acadêmico, o docente tem que ser equilibrado emocionalmente, além de dar atenção ao aluno, deve se aproximar, elogiar, saber ouvir e reconhecer seu valor, acreditando na sua capacidade de aprender e de ser uma pessoa melhor. O vínculo afetivo que o professor estabelece com o aluno em sala de aula, deve ter um caráter libertador e de confiança no cotidiano, para combater o preconceito e os rótulos comuns presentes no ambiente escolar (PEREIRA e GOLÇALVES, 2010).

Os depoimentos que se seguem respondem à primeira pergunta relacionada a COVID-19:

 

(...) Estamos frente a novas formas de se relacionar, novos costumes, novos hábitos de consumo e, principalmente, uma nova forma de ensinar e aprender. São esses alguns dos impactos da pandemia da Covid-9 que tem provado todo o sistema global. Na contramão de todas as medidas que emergiram a partir do isolamento social, quando a “digitalização do ensino” passou a predominar na vida das pessoas. Os problemas históricos, sociais e afetivos que assolam consideravelmente o atual cenário educacional brasileiro se mostram mais evidentes (...).

Gislaine Fagnani

 

Lembrei-me, ao ler essa temática, de uma semana pedagógica realizada na IES que atuo. A IES trabalhou a jornada de um herói (este o professor). Quanta afetividade coletiva e consciência tivemos ao se (re)conhecer no outro...Voltando ao tema, acho que a pandemia favoreceu muito mais as relações de afeto no ambiente escolar. Se no presencial o aluno "ri" ou tira piada do professor que não sabe mexer em um determinado aplicativo ou recurso tecnológico, nas aulas remotas o aluno/turma procura pacientemente ensinar o professor (...).

Sara Luíze Duarte

 

(...) Hoje com a Pandemia podemos refletir, será que a educação escolar (fortemente racional, conteudista) está nos ajudando a lidar com esta situação? Ou outros conhecimentos, tais como a emoção, o corpo e o propósito nos ajudaria nesta situação desafiadora do ser humano? Creio que uma educação integral poderia nos ajudar a lidar com a pandemia de melhor forma.

Marcos Galini

 

(...) ao dizer que há uma exigência na educação remota para que professores sejam afetivos, é válido dizer também que os queridos professores estão vivendo um momento tão pesado, de tanta doação, descobertas e criatividade, além de toda a vida paralela que precisam dar conta, assim como todos nós, que neste momento é o público que mais precisa do nosso afeto, apoio, aplausos, admiração e respeito, pois estão na linha de frente com muita honra e orgulho.

Lana Paula Crivelaro

Depoimentos sobre como a Afetividade traz um resultado positivo para o processo de ensino-aprendizagem foi também enfatizado pelos participantes:

Trabalhei com uma professora, eramos dos cursos EAD, que em um determinado dia foi surpreendida com um grupo de alunos que queriam conhecê-la presencialmente. Todos felizes e satisfeitos com a sua afetividade, com o seu carinho e atenção. Foi lindo de ver (...).

Mônica Campos

Desde a graduação, sendo que no Mestrado já entrei nessa vertente falando sobre motivação, sempre fui apaixonada por temas que relacionam a educação a psicologia! Mas a ideia/necessidade surgiu em um projeto desenvolvido em uma escola particular de Paulínia, quando um aluno mencionou que quando ele passou do ensino fundamental I para o ensino fundamental II a matemática começou a morrer dentro dele!!!Essa fala bateu muito forte em mim, e estimulando a falar percebi que o problema que esse aluno enfrentava com relação a matemática poderia estar relacionado aos fatores afetivos relacionados a seu relacionamento pessoal com a professora que proporcionou a esse aluno a passagem da matemática para a álgebra! Dessa forma, resolvi no doutorado investigar melhor como os fatores afetivos podem influenciar a aprendizagem na matemática!

Gislaine Fagnani

 

Provocações

Deve-se ter a proximidade física para a que a afetividade aconteça? Qual a relação da afetividade com a aprendizagem?

Referências:

WALLON, H. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 1999.

LEITE, Sérgio Antônio da Silva Leite. TASSONI, Elvira Cristina Martins. 2002. A afetividade em sala de aula: as condições de ensino e a mediação do professor. Disponível em: <https://www.fe.unicamp.br/alle/textos/SASL-AAfetividadeemSaladeAula.pdf>. Acesso em 16 de agosto de 2020.

PEREIRA, Maria José de Araújo; GOLÇALVES, Renata. Afetividade: Caminho para a aprendizagem. Disponível em: <http://www.seer.unirio.br/index.php/alcance/article/view/669/625>. Acesso em 15 de agosto de 2020.

 

Autoras:

Maria Bethânia Batista

Mônica Campos

 

Professores Exponenciais
Ler conteúdo completo
Indicados para você